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Nova York, eu te amo

Nova York nunca foi um destino desejado para mim. Conheço muita gete apaixonada pela cidade, mas sempre que tive oportunidade de viajar, os Eua sempre ficaram na última opção… até que passei a assistir Sex and The City. Só que a Nova York animada de Carrie Bradshaw parece não ser a mesma de Nova York eu Te amo, filme que acaba de chegar às locadoras. Apesar do clima melancólico do filme, achei Nova York eu Te Amo melhor do que Paris eu Te amo, que era uma reunião de curtas-metragens de vários diretores sobre a cidade luz. Já o filme sobre Nova York é um longa, que reúne diversas histórias, dirigidas pelo mesmo diretor Jiang Wen, com personagens que se cruzam.

A proposta dois dois filmes é a mesma: mostrar as cidades, através de pequenas histórias, ao  público. E, acima de tudo, deixar claro que quem faz a cidade são as pessoas que a habitam. Acho que é por isso que gosto tanto de conhecer gente. E percebi que as duas Nova Yorks (a do filme e a do seriado) têm algo em comum: a dificuldade de achar um taxi. Lembro que em vários episódios a Carrie reclamava disso, e no filme este é o pano de fundo da primeira historinha. Fiquei com mais vontade ainda de conhecer Nova York, e acho que aprendi que a melhor forma de andar por lá é de metrô mesmo. Rsrs!

Guerra e Paz

No último domingo, minha amiga Luisa esteva aqui em casa para jantar. Conversa vai, conversa vem, e acabamos falando sobre a Audrey Hapburn, minha musa do cinema. Então mostrei para ela o meu box com filmes da atriz, que comprei no ano passado. Pensei que já tivesse assistido a todos os filmes da caixa, mas descobri, enquanto mostrava a ela, que faltava um deles para assistir: guerra e paz, que estava lacradinho. Que alegria!

Como estou com muita dor de garganta, com a voz quase acabando, não fui à pós-graduação ontem, já que a PUC é quase o pólo norte e eu certamente chegaria mais doente ainda em casa. Aproveitei então para assistir Guerra e Paz, que traz a Audrey no papel de Natasha Rostova.

 Apesar de não ter lido nenhum livro de Tolstoi, consigo imaginar a complexidade de roteirizar e adaptar este calhamaço escrito em 1865 para o cinema, e fiquei surpresa com o resultado. O longa-metragem narra a história da invasão francesa, comandada por Napoleão, à Russia, tendo como pano de fundo diversas famílias, entre elas a da personagem da Audrey. O filme, que foi indicado ao Oscar na época, é absolutamente bem feito. Também fiquei espantada com a qualidade da imagem do DVD, já que a filmagem aconteceu em 1956. As cenas já são coloridas, e acho que não conseguiria apontar um defeitinho sequer no filme. Para se ter uma ideia, o tempo de duração do filme é de 206 minutos, ou seja, três horas e meia, e nem senti o tempo passar. Só quando terminei é que percebi que tinha se passado esse tempo todo.

Sem contar que a Audrey é maravilhosa. Fiquei pensado no motivo de eu gostar tanto dela, e acho que cheguei à conclusão de que é justamente porque a beleza dela não é nada obvia. No próprio filme, outras atrizes lindíssimas contracenam, com uma beleza muito mais explícita do que a da Audrey. Mas quem chama mais atenção é ela, sem dúvida. Acho que por conta de seus olhos curiosos, que parecem pertencer a uma pessoa sempre em busca de algo novo. Esse é o tipo de beleza que me cativa mais.

 A Audrey tem uma filmografia extensa, e acho nem todos os filmes estào diponíveis para assistir no Brasil. É uma pena que agora meu box tenha acabado, mas como me conheço, sei que daqui a pouco vou começar a assistir a todos os filmes novamente (Sabrina, A Princesa e o Plebeu, Bonequinha de Luxo e Cinderela em Paris) e coloco minhas segundas (ou terceiras e quartas … rsrsrs) impressões a respeito dos filmes aqui.

 

Chic Lit à Italiana

Em um universo quase dominado pela lingua inglesa, que é o da Chic Lit (nome dado à literatura ‘mulherzinha’), achei interessante ler uma versão italiana. Em “Sou Louca por Você”, escrito por Federica Bosco, a história mais uma vez se passa no eixo Grã-Bretanha-Nova York, como na maioria dos livros do gênero (Pelo menos os que chegam ao Brasil). O que achei mais interessante nele é que, ao contrário dos outros (como Backy Bloom e os livros da Marian Keyes, por exemplo), a personagem principal é italiana, e não irlandesa, americana ou inglesa. Isso traz um tempero à mais à história.

Não li nada sobre o livro na internet para ser sincera, mas o que me atraiu a lê-lo foi sua capa, feita pela designer Carolina Vaz, com ilustração de Juliana Montenegro. Desde que comecei a estudar o mercado editorial, fiquei mais atenta às capas dos livros que eu lia, e reparei também que adoro o trabalho desta designer, que foi a mesma que fez as capas da Marian Keys. A capa é divertida e combina com o texto, além de chamar atenção na livraria. 

 Tanto este livro quanto os da Marian são publicados pela Bertrand Brasil, e outra coisa que gosto neles é a fonte, a diagramação espaçada. Tudo isso facilita muito a minha leitura, porque ultimamente tenho lido mais quando estou prestes a dormir.

A história do livro não é das mais originais, é verdade. Mas me pareceu bastante verossímil, e acho inclusive que esta é uma quase-biografia da própria autora. Vou explicar o motivo. Este é o primeiro livro da Federica Bosco, e a personagem do livro também está escrevendo seu primeiro livro. Assim como Federica, Mônica, a personagem que narra a história, também é italiana. Ela se muda para Nova York para realizar seus sonhos – entre eles o da própria publicação do livro – e se apaixona. Só que o rapaz não queria nada com ela. Em seguida, um escocês lindo, mais velho, e editor de livros, aparece na sua vida, e mostra como se comporta uma pessoa apaixonada de verdade. O enredo é cercado de casos engraçados, de personagens cativantes, além de ser bastante espitituoso. Acho que no cinema vai render, certamente, boas risadas (pelo que entendi, os direitos do livro já foram vendidos para a telona).

Outro ponto que acho legal no livro é justamente a dedicatória:

“Este livro é dedicado a todos aqueles que têm um sonho (ou mais de um) e a todos aqueles que, quando souberam da publicação, me perguntaram: ‘estão publicando pra valer ou é você que está pagando?’”.

Acredito que Federica, que é ex-animadora turística, deva ter corrido atrás do sonho dela (o de escrever um livro) e conseguido realizá-lo. Hoje ela já tem uns seis livros publicados na Itália, e Louca por você é o primeiro publicado no Brasil. Acho que para um começo ela se saiu muito bem.

Rio Etc, a alma encantadora das ruas

Oi, pessoal. Este fim de semana, fiquei super feliz quando uma amiga minha me mandou uma mensagem dizendo que o meu blog havia sido indicado no Rio etc. Para quem não conhece, o Rio etc é um blog super legal de street style do Rio de Janeiro. Adorei a indicação deles, e para repetir a atitude dos colegas segue o que eles falaram sobre o meu blog e também um link para quem quiser curtir o site ou a outra indicação deles, um blog  de fotografia, que também é muito legal.

Vale a Visita

E aí! Hoje a gente vem indicar mais dois blogs que valem a pena ser visitados! É bom que você aproveita o domingo pra conhecer coisas novas e superlegais!

- o blog da jornalista Flávia Custódio é daqueles estilo conversa com a melhor amiga, sabe? Os posts falam de cinema, viagens, música, livros, comidinhas, enfim, coisas que todo mundo ama, né? Tudo isso numa linguagem informal, mas bem escrita!

- essa é pra quem ama passar o tempo vendo fotos inspiradoras! O site Served reúne imagens lindas de diferentes temas, como moda, design industrial ou fotografia em geral. Ótimo pra conhecer o mundo e diferentes visões sem sair do seu quarto! Você pode conferir, por exemplo, o ensaio fotográfico “Childhood friends” de Leonard Miller, que a gente adorou e está ilustrando nossa coluna de hoje!

E aí, curtiu as indicações? Fica à vontade pra indicar seus blogs e sites prediletos também, ok?

E aí, curtiu?

O link deles é:

http://rioetc.com.br/page/3/

Albergue Espanhol

Estes dias, na redação do jornal, conversávamos sobre os cinco filmes preferidos de cada um e fiquei pensando se não estava cometendo nenhuma injustiça deixando algum filme de lado. Assim que cheguei em casa,  descobri que sim, pois me lembrei (como pude me esquecer?) de “Albergue Espanhol”.

Lembro que aluguei albergue Espanhol despretensiosamente. Uma amiga minha do ex trabalho, a Clarice Martuscello, que de vez em quando deixa um recado fofo aqui para mim, comentou que tinha visto “Albergue Espanhol” com uma amiga no fim de semana, e que tinha morrido de rir. Como boa cinéfila, fiquei curiosa e corri para alugar o filme. Fiquei encantada! E olha que eu nunca tinha (na época) sequer estado em um albergue.

O filme conta a história de Xavier, um francês que para conseguir um bom emprego resolve se especializar em economia espanhola, e se inscreve no Erasmus, um programa de intercâmbio na Europa, para aprender mais da lingua falada na Espanha. Ele então passa um ano intenso morando em Barcelona. Logo que chega à cidade, ele não consegue apartamento para alugar, mas acaba conseguindo uma entrevista em um albergue, onde precisam colocar mais gente para dividir o aluguel. Ele passa na entrevista, e vai dividir apartamento com um dinamarquês, uma inglesa (que tem um rimão que é uma figura), uma espanhola, um italiano, um alemão e uma belga. As brigas, a geladeira, as saídas, o clima… absolutamente todas as situações do filme são muito engraçadas. Principalmente para quem já teve alguma experiência em albergues ou repúblicas. Anos depois de assistir pela primeira vez ao filme, e de revê-lo pelo menos 12 vezes pelas minhas contas, tive a oportunidade de estar em um albergue espanhol e posso dizer que o filme lembra muito toda a experiência que tive. Só que, no meu caso, fiquei apenas alguns dias, que foram bem vividos com brasileiros, americanos, australianos, holandeses, italianos… Posso afirmar que fiquei cinco dias quase sem dormir em Madri. Não sei como aguentei.

Quando cheguei da viagem, passei a amar mais ainda o filme por me identificar com as situações, e acabei comprando o DVD esta semana, porque estava com saudades de assistir. Achei melhor comprar do que alugar porque fiz as contas e percebi que seria mais barato tê-lo do que alugá-lo sempre.

Cada vez que assisto ao filme, gosto dele por um motivo diferente e acho que é isso o que mais me encanta nele. Da primeira vez, foi pelos risos, da segunda vez, por Barcelona, e acho que desta última foi pela saudade de vivenciar esta experiência.

Sou uma eterna defensora dos albergues. Sempre que alguém vai viajar e me pede alguma dica, eu falo que albergue é a melhor coisa que pode acontecer na viagem de alguém, seja pela troca cultural intensa ou pelas amizades que ficam. Pretendo continuar frequentando e defendendo os albergues até ficar bem velhinha e alguém não deixar mais eu entrar neles (porque alguns albergues realmente têm limite de idade. Uma pena).

O filme é imperdível, assim como ter a experiência de estar em um albergue também é.  Agora que tenho o DVD, posso assstí-lo quantas vezes quiser, seja para rir, para ver as paisagens de Barcelona ou para me lembrar do albergue espanhol em que estive e que deixou muitas saudades.

Esta é uma foto do filme.

É Agora ou nunca

Ler os livros da Maryan Keyes é sempre um prazer para mim. Como o novo livro dela deve ser lançado no próximo mês e se tudo correr certo consigo entrevistá-la, corri para ler todos os livros dela que eu ainda não havia tido chance de ler. O último deles foi Agora ou Nunca, e o que está na fila, para completar, é Casório, que fiz questão de emprestar a uma amiga – com casamento marcado para setembro – antes de pegar para ler.

Como vocês já devem ter visto pelos outros posts, sou fã da Maryan Keyes – seja por suas histórias engraçadas ou por sua linguagem descomplicada – , mas pela primeira vez fiquei um pouco decepcionada com um de seus livros. Sempre que começo a ler algum livro dela, sei que para mim a leitura só engrena a partir da página 100. Sempre demora um pouco, para mim é normal.  Só que este só ficou interesante para mim a partir da página 400. Em um livro de quinhentas e poucas páginas, acho que demorou um pouquinho.

Pois bem, o livro conta a história de três amigos que, de repente, se deparam com uma situação bastante grave: um deles descobre que tem câncer. E, como se vê a beira da morte, resolve tentar ajudar os outros amigos a serem felizes e a valorizarem mais  suas vidas.  O tema é forte, e o livro é leve, como todos dela, só que algumas coisas me incomodaram bastante, como, por exemplo, o nome de alguns personagens: Tara, Fintan, Lorcan, Milo…. Concordo que o nomes dos personagens não devam ser alterado em uma tradução, mas confesso que fiquei um pouco resistente a me acostumar com estes nomes, o que tornou mais difícil para mim imaginar os personagens, e, para mim, fica mais divertido ler quando eu consigo imaginar como eles são, suas roupas, penteados, apartamentos.

O livro não deixa de ser um bom passa tempo, mas nada muito instigante eestá aquém dos outros trabalhos da autora. Garanto que Sushi, Férias, Melancia e Tem alguém ai são bem mais interessantes que É agora ou Nunca, mas se a intenção é ter uma leitura agradável e despretensiosa, ou se você curte o estilo da autora, vale a pena lê-lo.

A girls day out

Há semanas tenho me sentido tão cansada que negligenciei um pouco a atualização do blog. Cheguei a pensar em desistir dele algumas vezes, mas não tive coragem de deletá-lo. Sempre que acontece isso, prometo para mim mesma que a partir de agora será diferente, e que o blog terá atualização pelo menos duas vezes na semana. E desta vez espero que sim. Tenho tanta história para contar, mas o tempo está sendo cruel comigo, ainda mais agora com reformas em casa. Quem já fez obra em casa provavelmente vai entender bem o que estou dizendo. Justamente para aliviar a tensão, resolvi não deixar de escrever no blog, ainda mais que fui motivada por um fim de semana tão relaxante que estou, internamente, me sentindo de férias, em plena segunda-feira de trabalho. Como pode?

Ontem foi um dia especial. Ultimamente, está tão difícil encontrar as amigas (só as amigas, sem os respectivos) que qualquer brecha é super bem-vinda, e foi o que aconteceu este fim de semana. Eu e minha amiga Luisa (cujo namorado está viajando) resolvemos passar um domingo feliz juntas, e contamos com a participação especial da nossa outra amiga, Fernanda, na hora do almoço e depois no cineminha. O dia começou com uma visita à exposição do Ziraldo, no CCBB. Desde pequena, sempre fiquei encantada com os desenhos dele e sou profundamente grata por ele ter me despertado o prazer pela leitura através de seus livros. Os primeiros livrinhos que li eram dele, Dodô Bumbum e O joelho juvenal. Estes dois personagens povoaram a minha imaginação desde que eu tinha uns 5 anos.

A exposição é uma gracinha e fica em cartaz até setembro. É impressionante ver a criatividade do Ziraldo, principalmente na sala em que ele faz suas versões dos quadros mundialmente famosos colocando os super heróis na tela. Ele humaniza os super heróis de uma forma simples e divertida, com seus traços peculiares e cores vivas que deixam os quadros alegres, entre diversos outros adjetivos que podem ser aplicados. A exposição á curtinha, com apenas duas salas, e acho um programa imperdível tanto para as crianças quanto para os adultos que acompanharam a carreira do Ziraldo. Quando eu era bem pequena, o meu sonho era conhecer o Ziraldo. Em uma das bienais que fui, eu devia ter uns 9 anos, minha mãe leu no jornal que ele estaria presente para autografar os livros, e fomos no dia e na hora marcada com os livros na mochila. Só que, chegando lá, ficamos sabendo que o Ziraldo tinha trocado a data da visita. Como fiquei decepcionada na época!

Depois da exposição, fomos almoçar em Santa Tereza, no restaurante Espírito Santa, que fica na rua Almirante Alexandrino, número 264. A casinha vermelha que acomoda o restaurante é muito charmosa e na entrada não tem placa e nem numeração indicando que ali seria o restaurante. Pela fila na porta deduzimos.

O clima do restaurante é ótimo, principalmente na varandinha externa, e a comida, nem se fale. De entrada, pedimos bolinho de aipim com carne seca. E, como prato principal, perguntamos qual era a especialidade da casa para o garçom, que nos indicou a frigideira de camarão e o namorado na folha. Ficamos na dúvida de qual pedir, e acabamos pedindo os dois. Cada prato, de acordo com o cardápio, poderia ser dividido por duas pessoas. Mas nós três demos conta do recado. Não é muita comida, ao contrário do que o garçom disse, e serviram bem três meninas famintas. Eu estava realmente com vontade de provar uma comida diferente do que estou acostumada, e lá consegui, com comidas brasileiras, que são a especialidade da casa. A conta foi salgada: 207 reais para três pessoas, mas foi uma tarde impagável apesar da demora para chegar a comida, uma hora e meia ao todo. Mas como não estávamos com pressa e a conversa estava muito agradável, a espera não foi incômoda, até porque os garçons de lá são extremante simpáticos e atenciosos.

Segue uma foto dos pratos e outra da varandinha simpática do Espírito Santa.

Para fechar a noite, fomos ao cinema. A Luisa queria assistir Eclipse pela segunda vez. E já que ela estava carente por conta da falta do namorado, achei melhor não contrariar (não sou muito fã de vampiros, lobos e seres parecidos, no fim das contas prefiro os humanos, chatos). O filme é legalzinho. Achei o mais interessante entre os três que já foram lançados, apesar de achar a Bella uma chata. A Luisa cisma que eu tenho que ler os livros, porque eles são imperdíveis, mas ainda não tomei coragem de encarar. Quem sabe… Cheguei em casa feliz, sem sono, e como ainda era cedo, tentei rever um filme que aluguei na locadora e estava lá em casa, Paris, Te Amo. Da primeira vez que assisti eu gostei muito, mas dessa vez achei tão chato que me deu um sono enorme. Larguei o filme na metade, fui dormir, e acordei hoje renovada.

Cony aos pedaços*

Uma árvore que traz lembranças da infância, uma janela que provoca emoções singulares, um livro ou filme que remete à família. O escritor, jornalista e membro da Academia Brasileira de Letras Carlos Heitor Cony parece não poupar nenhum momento vivido na hora de escrever suas crônicas, e transformá-las em verdadeiras poesias escritas no formato de prosa. A reunião de mais de 50 anos de trabalho como jornalista, entre viagens e coberturas importantes, além de histórias de família – afinal, seu pai também era jornalista e foi o pivô de sua escolha profissional – acabam de ser condensadas no livro “Eu, aos pedaços”, lançado este mês pela editora LeYa.  

A obra reúne crônicas escritas ao longo da carreira de Cony que já foram publicadas em diversos veículos.  Política e infância são temas recorrentes nas 256 páginas do volume, no qual o autor também compartilha com o leitor os pensamentos que moldaram sua trajetória como jornalista e, principalmente, como ser humano, com 84 anos de existência e muita história para contar.

Como foi a escolha do título do livro, “Eu, aos pedaços”?

Em algumas crônicas que escrevi sou o personagem principal. Escrevo sobre um passeio que fiz, um filme que vi, um livro que li, uma emoção que tive ou uma tristeza maior. Essas crônicas são pedaços de mim mesmo, pedaços que a gente vai deixando por ai. Nas crônicas selecionadas para o livro, falei pessoalmente e usei muito a palavra “eu”. Acho que juntando todos esses pedaços, dá o meu perfil, feito por mim mesmo. Daí o título “Eu aos Pedaços”.

Na orelha do livro, a Lygia Fagundes Telles diz que você é um visionário, você concorda com ela?

Acho que tenho uma maneira peculiar de ver e transformar as coisas. Ao invés de escrever “abri a janela e vi um prédio branco”, escrevo algo além disso. Digo que abri a janela, vi um prédio branco e que isso me lembrou alguma coisa e se essa visão que tive do prédio do lado me despertou alguma emoção, recordação, tristeza, espanto ou pensamento. Minhas visões são reais e despertam em mim emoções a respeito do mundo. Nesse sentido ela tem razão. Sou um visionário realmente.

Você chegou a pensar em ser seminarista, o que te fez recuar da decisão?

Fiquei no seminário dos 10 aos 20 anos. Ao longo desse tempo, perdi minha fé. Gostava muito do seminário e até hoje considero esta fase um dos períodos mais felizes da minha vida. Mas de repente vi que não tinha mais aquele amor à vida mística, às orações, àqueles ritos e cerimônias. Achei que não seria decente ser um padre que não acredita naquilo que fala.

E como foi a escolha do jornalismo? O fato de o seu pai ser jornalista pesou ?

Meu pai era jornalista, do Jornal do Brasil, e precisou levar minha mãe para fazer tratamento nas estações de águas de Minas Gerais. Para isso, ele precisou se ausentar do jornal por um mês e falou que me deixava no lugar dele. Perguntaram: “o teu filho dá pra coisa”? Ele respondeu que sim, que eu sabia escrever e me elogiou para o chefe dele, que me aceitou. É claro que não decepcionei e fiz tudo o que me pediram direitinho. Ai fui ficando e  estou até hoje na profissão.

Você dedicou um de seus romances ao seu pai, o “Quase Memória”, publicado em 1995. Foi difícil escrever este livro?

Foi fácil. Quando a coisa é muito difícil, deixo de fazer. Só faço aquilo que me dá prazer. Quando não sinto, paro. Todos os livros que escrevi me deram prazer, uns mais outros menos. Uma coisa que eu acho errada na educação de hoje é obrigar os alunos a lerem determinados livros, e a leitura então se torna um dever de escola. A criança fica com raiva porque tem a obrigação de ler o livro. Devia ser o contrário. A criança deveria ter a curiosidade despertada e, uma vez encontrado o prazer da leitura, ela passa a ler a vida toda.

Você sempre viajou bastante como jornalista. De que forma essas viagens ajudaram o seu desenvolvimento intelectual?

A princípio, eu viajei muito a trabalho, como jornalista. Fui à Inglaterra assistir ao casamento da princesa Diana, em Roma vi a eleição do Papa e em Israel vi a guerra. Hoje viajo mais a prazer. As viagens me ajudaram muito no desenvolvimento intelectual. Uma longa e boa viagem para um lugar interessante como Alemanha, Inglaterra, Itália ou Espanha, por exemplo, valem por um ano de faculdade. Você aprende muito e vê tanta coisa que abre a cabeça. Conhecer outras pessoas, povos e novas maneiras de viver traz muita experiência.

Na crônica “O Preço”, você diz que “foram tantas as esquinas dobradas errado que fica difícil descobrir a esquina fatal”. Você consegue dizer que esquinas você dobrou errado? E quais você acertou?

O que vou dizer é contraditório, mas acho que dobrei a esquina errada quando entrei para o seminário e dobrei outra esquina errada quando saí do seminário. A gente sabe que dobrou uma esquina certa quando chegamos onde queremos. Mas geralmente estamos sempre procurando, tentando e dobrando esquinas erradas pela vida afora.

Que conselho você daria a um jovem jornalista depois te ter dobrado em tantas esquinas erradas?

Sempre ir em frente, porque se você dobra uma esquina dobrada errada hoje pode dobrar uma certa depois e corrigir o erro. Há sempre uma maneira de acertar. O segredo é insistir e não ficar deprimido porque errou ou ter a coragem de voltar atrás.

Entre todas as crônicas publicadas no livro, tem alguma que você goste mais? Por quê?

É difícil responder. É o caso de perguntar ao pai ou a uma mãe que tem vários filhos qual é o filho predileto. Tenho a impressão de que gosto mais da “Areias de Portugal”, porque acho uma crônica bonita e verdadeira. Eu subia na árvore e via o mundo todo. Não estava vendo nada na verdade, só os telhados dos vizinhos, mas estava vendo coisas longe. Quando era criança, fazia muito isso, subia em árvores e ficava vendo coisas. Então essa crônica diz muito de mim mesmo.

O que o público pode esperar do seu livro?

Conhecer o ser humano que eu sou. As pessoas que gostam de mim vão ficar satisfeitas. As que não gostam não vão ler. Quando leio um livro bom, ele se torna um amigo meu, um amigo que conquistei e vai ficar para a vida toda. Em geral, a gente perde os amigos. Meus amigos de infância e até os recentes também ou morreram ou foram para outros caminhos. Muitas vezes passamos anos sem ver as pessoas que a gente gosta. O livro não. O livro a gente trás e fica conosco. É um amigo presente que a gente manuseia no momento que quer.

Serviço:

Título: Eu, aos pedaços

Autor: Carlos Heitor Cony

Editora: LeYa

*Entrevista publicada no Segundo Caderno do Jornal o Fluminense em 27/06/2010.

Um papo com Cony

Uma das maiores alegrias que a profissão de jornalista pode proporcionar é colocar o repórter diversas vezes em contato com pessoas que ele admira. Desde que li “Quase memória” do Carlos Heitor Cony, virei fã de seu trabalho. Eu tinha acabado de perder o meu avô (seu Chico, que era o melhor avô do mundo) quando li este livro, há uns cinco anos atrás. Recentemente, o Cony lançou uma coletânea de crônicas, a “Eu aos pedaços”, e por conta do lançamento tive a oportunidade de bater um papo com ele. Nossa conversa de meia hora rendeu uma capa para o Segundo Caderno do jornal em que trabalho.

Em “Quase memória”, Carlos Heitor Cony relata memórias do relacionamento com seu pai. O livro é de uma sensibilidade extrema e me emocionou muito. Apesar de a entrevista não ter sido sobre o “Quase Memória”, aproveitei a oportunidade da conversa para perguntar ao Cony se tinha sido difícil para ele escrever o livro, porque para mim tinha sido muito difícil ler. Ele respondeu que não, que tinha sido fácil, e que ele achava um absurdo obrigar as pessoas a lerem livros que elas não querem ler. Fiquei intrigada. Depois de uma pausa, minha fixa caiu. Ele tinha entendido que para mim tinha sido difícil ler porque tinham me obrigado a ler o livro, provavelmente na escola. Mas, pelo contrário, eu tinha lido por vontade própria, e para falar a verdade eu nem sabia direito sobre o que o livro falava quando o escolhi na estante.

Contei que tinha perdido o meu avô um tempo antes e que por isso eu tinha me identificado com aqueles sentimentos que ele colocou de forma tão magistral no livro. Por isso, o livro tinha sido difícil para mim. Ele respondeu: “Ah, ta! Quantos anos tinha o seu avô?”. Fiquei feliz por ele ter demonstrado interesse e tentada a contar para ele o quando eu admirava o seu trabalho, como o livro tinha marcado a minha vida, o quanto eu amava o seu estilo de escrever, mas no momento seguinte, me segurei, para parecer profissional ao máximo. Resolvi guardar para mim a alegria de ter conversado com este mestre da escrita.

A entrevista que fiz com o Cony está publicada na íntegra no post Cony aos pedaços.

Caneco Gelado do Mário

Para inaugurar os posts gastronômicos do blog, vou escrever sobre um barzinho que é um dos maiores pé sujos do centro de Niterói, mas que tem o melhor bolinho de bacalhau que já comi na vida, o Caneco Gelado do Mário. Em dia de pescoção não tem nada melhor. Você sai zonza da redação depois de fechar dois dias de jornal, e mesmo quem não gosta muito de cerveja, que é o meu caso, se rende a uma Antártica de garrafa com pasteizinhos de siri, bolinho de aipim com camarão e o tradicional bolinho de bacalhau do seu Mário, um português que sempre está lá pela cozinha e comanda o fogão. Isso quando a comilança não se estende para a porção de camarão frito, um festival de frituras e sabor, um arrasa dietas de primeiríssima categoria.

A primeira vez que passei na frente do Caneco Gelado do Mário, mais conhecido como Mário, não acreditei que ali era feito o tal do ‘O melhor bolinho de bacalhau’. Fui resistente a entrar, porque a aparência não é das melhores realmente, mas quando experimentei pela primeira vez o bolinho, pedi outro e mais um em seguida, e então entendi tudo. Agora tenho o prazer de trabalhar bem aqui do ladinho. Maravilha.

Acho que todo mundo devia ter o direito de provar aquele bolinho uma vez na vida. Depois da dobradinha pescoção-Mário comecei a achar os serões aqui no jornal mais interessantes. O pescoção é um dia cansativo, exaustivo, corrido e estressante, mas a recompensa é boa: a galera sai muitas vezes aqui do jornal e segue direto para o bar, e até o dia seguinte no trabalho fica mais relaxado e feliz. Que venham mais pescoções, bolinhos e antárticas.

Dá uma olhada nos petiscos:

O Caneco Gelado do Mário fica na Rua Visconde de Uruguai, 288, Centro de Niterói.

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